Segunda-feira, 3 de Abril de 2006

JOÃO PAULO II

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Como já escrevi aqui, sou cristão, não praticante, como se existisse tal lugar na hierarquia da igreja ou por ela fosse-mos reconhecidos. Cálculo que a maioria dos meus leitores têm a mesma ideia de igreja que eu. Temos de ser realistas.


No passado, muitos que discordaram da posição oficial da Igreja Católica foram prosseguidos e mortos. Que podia fazer mais pelos pobres, que o seu poder é imenso, que tem uma riqueza tão grande que poderia e deveria minimizar com ela os muitos males que grassam por esse mundo fora, entre muitas outras coisas que tornariam este texto longo, polémico e chato.


Mas quero destacar dois marcos da vida da igreja entre outros que para mim são determinantes, Jesus Cristo e mais recentemente João Paulo II. Quanto ao primeiro já escrevi em tempos neste blog o seu significado para mim, da sua ideia de cristianismo já só resta o nome. Quanto ao segundo, vou tentar resumir a minha ideia. Há pessoas que fazem o seu tempo, e João Paulo II foi uma delas. Mesmo no fim da sua vida, já severamente limitado pela velhice e pela doença, o Papa, pelo simples facto de existir, era parte marcante do tempo histórico que compartilhei.


João Paulo II nunca deixou de ser uma referência. Positiva ou negativa, era uma referência perfeitamente clara, tanto na defesa da liberdade ou na intransigência (para mim estúpida) obstinada à camisinha como instrumento de prevenção à SIDA. Não nos compete julgar seja quem for, quem sou eu? mas julgo que ele fez o que sabia e o que lhe foi possível. João Paulo II, com o seu longo pontificado goste-se ou não, conquistou, sem paralelo, prestígio pessoal e institucional: não há, nos dias de hoje, no Mundo, pessoa com idêntica autoridade moral e capacidade de liderança. Foi o Papa que melhor conheci e por isso tenho simpatia imensa por aquele homem que faz agora um ano deixou este mundo. Pediu desculpa por imensos erros cometidos pela igreja, (e foram muitos) e o quanto isso custou a alguns.


Mas do seu sofrimento e da luta diária que o seu cérebro travava com o seu corpo débil, ficam muitas lições das quais podemos retirar muitas coisas positivas. Sinto-me pequeno demais para dizer algo mais que seja de um homem que nos demonstrou de forma crua e nua, o quanto somos fracos, mortais. Considero que por vezes foram cometidos exageros, porque o respeito da personagem tinha merecido outra delicadeza no pormenor, a sua fragilidade foi comovente por vezes chocante para mim. Uma lição espantosa que me marcou foi aquela frase notável quando no meio do sofrimento físico que só podemos imaginar e que o levou à morte, alguém lhe perguntou se pensava resignar, ao que ele respondeu: «Cristo também não desceu da Cruz».


Isto é fé, isto é amor, com o qual sonhamos, e procuramos toda vida sem encontrar. Até à morte e para além dela.

publicado por http://casadomasnaocapado2.blogs.sapo.pt/ às 16:06
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